A perda de um familiar é sempre um momento delicado. Em meio ao luto, muitas famílias desconhecem que determinados direitos previdenciários podem ser preservados, mesmo quando o segurado falece antes de concluir um pedido de benefício no INSS.

Um dos instrumentos mais importantes nessas situações é a perícia médica indireta. Neste artigo, explicamos de forma simples o que é a perícia médica indireta, quando ela é aplicada, quais documentos são necessários e por que ela pode ser decisiva para o reconhecimento de direitos dos dependentes. 


O que é a Perícia Médica Indireta?

A perícia médica indireta é uma avaliação técnica realizada sem a presença física do segurado, geralmente porque ele faleceu antes de comparecer à perícia agendada pelo INSS.

Nessa modalidade, o perito analisa documentos médicos, como laudos, exames, prontuários hospitalares e relatórios clínicos, com o objetivo de verificar se o segurado já se encontrava incapacitado para o trabalho antes do óbito.

Essa análise pode ser feita tanto na esfera administrativa quanto judicial e é amplamente aceita pela jurisprudência, especialmente em casos em que há prova documental consistente da incapacidade. 


Quando a Perícia Médica Indireta é Necessária?

A perícia médica indireta costuma ser aplicada quando estão presentes as seguintes situações: 

  • O segurado faleceu antes da realização da perícia presencial no INSS;

  • Havia um pedido de benefício por incapacidade (auxílio-doença ou aposentadoria por incapacidade permanente) em andamento;

  • Os dependentes precisam comprovar que o segurado:
    • Estava incapacitado para o trabalho antes do falecimento;
    • Mantinha a qualidade de segurado na data do óbito.

Infelizmente, essa é uma situação mais comum do que se imagina, especialmente quando o trabalhador enfrentava doença grave e aguardava perícia por longos períodos. 


Quais Documentos São Essenciais?

O sucesso da perícia médica indireta depende, em grande parte, da qualidade e da organização dos documentos médicos. Quanto mais completos, maiores as chances de reconhecimento do direito. Entre os principais documentos, destacam-se: 

  • Laudos médicos detalhados, com diagnóstico e CID da doença;

  • Prontuários hospitalares, incluindo internações, consultas e procedimentos;

  • Relatórios médicos que descrevam a evolução da doença e a limitação funcional;

  • Exames laboratoriais e de imagem (ressonâncias, tomografias, exames de sangue, entre outros);

  • Receitas médicas e comprovantes de tratamento contínuo;

  • Certidão de óbito do segurado.

Esses documentos permitem ao perito reconstruir o quadro clínico do segurado antes do falecimento. 


O Que o Perito Avalia na Perícia Indireta? Ao analisar a documentação, o perito médico busca responder a questões fundamentais, como: 

  • Qual era a doença ou patologia do segurado?

  • Essa condição gerava incapacidade para o exercício da atividade laboral?

  • A partir de quando essa incapacidade se iniciou?

  • A incapacidade era temporária ou permanente?

Essas conclusões são essenciais para comprovar que o segurado não havia perdido a qualidade de segurado e que fazia jus ao benefício por incapacidade, ainda que não tenha conseguido realizá-lo em vida. 


Qual é o Objetivo da Perícia Médica Indireta?

A perícia médica indireta pode resultar em importantes reconhecimentos, tais como: 

  • Concessão de benefício por incapacidade retroativo, referente ao período anterior ao óbito;

  • Comprovação da qualidade de segurado na data do falecimento;

  • Reflexos diretos em direitos dos dependentes, como pensão por morte ou valores atrasados.

Em muitos casos, esse reconhecimento faz toda a diferença para a segurança financeira da família. 


Orientação Importante aos Familiares Se você perdeu um familiar que estava aguardando perícia no INSS, não descarte a possibilidade de buscar seus direitos.

Guarde toda a documentação médica disponível e procure orientação jurídica especializada o quanto antes. A Justiça brasileira tem reconhecido, de forma reiterada, a validade da perícia médica indireta quando há provas suficientes da incapacidade do segurado falecido. A atuação de um advogado previdenciarista é fundamental para organizar as provas, formular corretamente o pedido e acompanhar o processo. 


Conclusão Mesmo com o falecimento do segurado, os direitos previdenciários não se extinguem automaticamente. A perícia médica indireta é um instrumento legítimo e eficaz para garantir que a realidade da incapacidade seja reconhecida e que os dependentes não sejam prejudicados.

Em caso de dúvidas, busque informações pelos canais oficiais do INSS, como o telefone 135, ou consulte um advogado especializado em direito previdenciário de sua confiança. Fique atento aos seus direitos. Informação é proteção.